DIÁRIO DE VIAGEM: DOHA POR QATAR AIRWAYS E RITZ-CARLTON HOTEL

BlogDoKadu-Doha

Nunca havia pensando em conhecer o Oriente Médio. Sei lá, acho que fazemos uma imagem tão errada desta região devido ao que vemos e escutamos pela televisão e os jornais que nunca me interessei. Bom, e aí que recebo um convite de uma empresa aérea chamada Qatar Airways.

Qatar… Vamos combinar, quem sabe aonde fica o Qatar?! Confesso que ouvi muito pouco sobre este país, um ilustre desconhecido – até geograficamente – deste blogueiro. Logo que recebi o convite, e topei embarcar nesta viagem, fui logo procurar mais sobre o tal Qatar. Descobri que é uma país vizinho da Arábia Saudita, próximo do Bahrain e dos Emirados Árabes Unidos. Ok…

Bom, descobri também que existe um tal de Emir (título de nobreza usado nas nações islâmicas do Médio Oriente), e que ele é o “mandachuva” do pedaço. Mais histórias daqui, outras dali… Parei de pesquisar e deixei para saber sobre o país in loco.

Claro que já me chamou a atenção o fato de que a empresa aérea é do Governo e foi eleita a melhor Business Class do mundo e, de quebra, ainda patrocina o time do Barcelona. Não está para brincadeira, né?!

Eis, então, que chega o dia de pisar em solo Catariano, ou melhor, no deserto Catariano. Bom, mas antes de falar sobre minhas impressões sobre este incrível país, vou situá-los na história.

Localizado no Golfo Pérsico, o Qatar é um dos novos emirados (território administrado por um emir, aha!) na Península Arábica. Depois de ser dominado pelos Persas durante milhares de anos e, mais recentemente, pelo Bahrain, os turcos otomanos e os britânicos, o Qatar transformou-se num país independente no dia 3 de Setembro de 1971. Ao contrário da maior parte dos emirados vizinhos, o Qatar recusou tornar-se parte da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

A descoberta de petróleo, com início na década de 1940, transformou por completo a economia da nação. Antes, o Qatar era uma região pobre, dependente da pesca e das pérolas, com pobreza generalizada. Mas isso, com certeza, ficou lá no passado!

Hoje, o país tem um nível de vida elevado e todas as características de uma nação moderna. Moderna não, ultra moderna, em todos os sentidos, menos religioso, já que a religião oficial do país é o Islamismo, e os trajes oficiais são os dishdasha para os homens, e as abayas para as mulheres. Isso quer dizer que, todos que moram no país e seguem a religião, têm que usar estas vestimentas.

BlogDoKadu-Doha

Fui para Doha em uma ótima época, já que a temperatura estava em torno do 30 C. Vale lembrar que, no verão, chega a 52 C… Aff!

Assim que chegamos em Doha, fomos direto tomar um café da manhã especial junto com a querida e atenciosa PR do Sharq Village & Spa, Amena Tena e, em seguida, aproveitamos a praia particular e as piscinas do hotel. Logo após o almoço, fomos conhecer a cidade.

Nosso primeiro ponto foi o Museu de Arte Islâmica. Projetado por ninguém menos que o  arquiteto Ieoh Ming Pei, o mesmo responsável pela ampliação e a pirâmide de cristal do Louvre, em Paris, o museu abriga uma rara coleção de arte islâmica voltada principalmente para a evolução da escrita árabe através de objetos de diversas épocas.

BlogDoKadu-Doha

Assim que saímos do Museu, fomos para o Souq Waqif, famoso e mais tradicional mercado da cidade, derrubado e reconstruído mantendo todas as características originais. Por lá, é possível observar pessoas em trajes árabes fumando narguilé, comércio de animais, como aves, venda de roupas típicas e lembranças de Doha. É muito engraçado, por que, homens só andam com homens, e mulheres, somente com mulheres.

No dia seguinte, acordamos cedo para um passeio pelo deserto, naqueles carros enormes da Land Rover. Antes dos carros entrarem nas dunas do sul do país, eles fazem uma parada para esvaziar os pneus. Neste meio tempo, é possível dar uma voltinha de camelo, rápida, é verdade, mas, para quem nunca andou, vale a experiência, e a foto.

BlogDoKadu-Doha

Logo após o passeio, fomos para um almoço típico árabe, no Al Terrace Restaurant. Comida deliciosa, e bastante farta. Só de lembrar, já me dá água na boca… Diferentemente do China, onde sofri um pouco com a comida, no Qatar me esbaldei!

O Qatar é muito interessante. Menor que muitos Estados do Brasil, e com uma população de um milhão e quinhentos mil habitantes, o país está em plena ebulição. Tudo por que a Copa do Mundo de 2.022 será lá, sendo a primeira do Oriente Médio. Muito investimento por parte do Governo, e infraestrutura, fazem do Qatar um canteiro de obras megalomaníacas, que incluem aeroportos, museus, prédios, estradas, hotéis… Você percebe que existe um comprometimento por parte do Emir em fazer do país um lugar desenvolvido e, na medida de possível, aberto para a cultura ocidental.

Segundo os moradores de Doha, todos têm acesso a saúde, educação, cultura e emprego. Aliás, só para vocês terem uma idéia, no próximo ano, o país precisará importar 60.000 trabalhadores e empregados de todos os cargos e níveis. Ótima oportunidade para quem quer começar a vida em outro lugar.

Claro que deve haver problemas por lá, já que estamos falando de um país com uma cultura muito tradicional e fechada, mas, sinceramente, não vi nem fiquei sabendo. E olha que não me cansei de perguntar para todos os locais que conheci…

BlogDoKadu-Doha

Palácio… Esta é a denominação perfeita para o Sharq Village e Spa, hotel administrado pela rede Ritz-Carlton. Inspirado na cultura e arquitetura do Qatar, o resort está localizado na área conhecida como Sharq, que significa Oriente. Com certeza, não deve haver nada parecido na cidade, já que realmente me senti hospedado na casa de um sheik, graças a decoração rica e autêntica do estilo árabe.

Tudo no Sharq Village é enorme, do lobby do hotel, rico em detalhes, como os lustres de cristais, baús, fontes e pátios, até os quartos, que são divididos por vilas. E por falar em quartos, os do Sharq são impressionantes. Parecia que estava dentro do livro “As Mil e Uma Noites”, com uma cama enorme, cheia de detalhes em cobre e bronze e tapetes tecidos à mão, proporcionando uma experiência única.

Isso, sem contar a vista deslumbrante da praia particular para a Baia de Doha, além das  duas, e imensas, piscinas do hotel. Em certas horas, ficava até dividido, em sair para conhecer a cidade ou aproveitar tudo o que o hotel oferece.

Os serviços e instalações incluem restaurantes que servem o melhor da cozinha ocidental e do Médio Oriente, com opções de refeições ao ar livre. Tive o privilégio de conhecer os dois restaurantes, Al Dana, com uma seleção de peixes e frutos do mar sensacionais, e o Parisa, de comida Iraniana. Aliás, quando virem um restaurante de comida Iraniana, entrem sem medo. A culinária é muito, muito, muito boa!

O Six Senses Spa é outra instalação do hotel que merece destaque. Quatro aldeias compõem a área de 6.500 m² do Spa, ligados por labirintos com fontes em cascata e vegetação fora do comum. São 23 salas de tratamentos com decoração e ambientes tradicionais do Qatar, com camas de massagem com pedras quentes, banhos de lama, sala de ginástica totalmente equipada, áreas privadas e vários quartos tranquilos para meditação reflexiva. Com uma variedade infinita de terapias árabe, e possível experimentar um novo tratamento, todos os dias, durante um mês inteiro. Eu experimentei o banho turco, que consiste em permanecer em um ambiente quente e cheio de vapor. Sensacional!

Tudo isso faz do Sharq Village & Spa um lugar magnífico e extremamente interessante, complemente em sintonia com a cidade, que conserva os costumes de uma país Árabe, mas com toda tecnologia e modernidade de um país que prospera sem limites.

BlogDoKadu - Doha por Qatar Airways BlogDoKadu - Doha por Qatar Airways

Fotos:   Kadu Dantas e Divulgação/Ritz-Carlton

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

8 Comentários:
  1. Edson Vitor Duarte

    Uau!…mais nada…Uau de novo!…meu Deus!

  2. Edson Nova

    Odeio ser o chato do pedaço, mas…

    “Moderna não, ultra moderna, em todos os sentidos, menos religioso, já que a religião oficial do país é o Islamismo”

    “Claro que deve haver problemas por lá, já que estamos falando de um país com uma cultura muito tradicional e fechada”

    O termo moderno é bem amplo e delicado. Ele vai muito além de uma marcação cronológica ou como sinônimo de desenvolvimento tecnológico: ele significa uma cosmovisão, um modo de conceber o mundo. Pela visão moderna, o homem é o centro de tudo, e a racionalidade deve reger todas as relações.

    Vieram depois as ideias pós-modernas. Segundo elas, a racionalidade não dá conta, pois não leva em conta os sentimentos e subjetividades do ser humano. Logo, por essa visão, tudo é relativo e tudo está correto – não existe verdade absoluta, legitimando todas as artes, religiões e ciências.

    Mas os dois projetos, moderno e pós-moderno, apresentam falhas. A modernidade nunca conseguiu a plenitude pois o homem não é puramente racional: lembrem que os cientistas afirmavam a superioridade dos homens e dos brancos sobre mulheres e negros.

    Já a pós-modernidade é contraditória e autofágica: ao dizer que não existe verdade absoluta, na verdade você está dizendo uma verdade absoluta. Ou seja, pra eliminar os dogmas você cria outro dogma.

    Eu acho muito delicado o movimento de olhar outras culturas. Culturas humanas não são naturais: são construídas. Logo, não existe uma melhor do que outra, e nem mesmo uma linha evolutiva. O evolucionismo cultural foi superado ainda no século XIX.

    Os problemas não aparecem por uma cultura ser fechada ou tradicional: os problemas aparecem por uma cultura ser cultura! Aliás, como afirma Bauman em seu conceito de “vida líquida”, o fato do ocidente contemporâneo viver um processo de ebulição cultural, onde as tradições são implodidas, gera desconforto, perda da identidade e deformidades morais.

    O oriente tem por filosofia central a ordem: a única forma de haver igualdade e ordem é limitando a liberdade individual.

    O ocidente preza pela total liberdade: se todos são livres, cada um defenderá seus interesses e surgirão desigualdades.

    Não podemos garantir qual sistema é melhor ou qual deixa as pessoas mais felizes. As mulheres orientais se cobrem pelo machismo, e as mulheres ocidentais andam semi-nuas pelo machismo. E quem educa os filhos e perpetua o machismo? As mulheres!

    Poderia dar milhares de outros exemplos – nem entrei no mérito da teoria do conhecimento, e da diferença entre ética e moral. Mas o fato é: Nossa cultura é fechada e tradicional, e o mais perigoso é que também se tornou dissimulada, pois ainda somos machistas, racistas, homofóbicos, anti-semitas e fascinados pela aristocracia embora digamos que não. Pelo menos, os orientais não dissimulam aquilo quem são.

    • Kadu Dantas

      Olá querido!
      Que texto, hein, adorei.
      Acho que devo ter me expressado mal, quando disse nação moderna, quis dizer no sentido tecnológico e de infraestrutura, não filosófico. Quanto aos problemas, pesquisei e achei alguns bem “difíceis”, que vão além do fato cultural, pois são comuns em ambas sociedades – oriental e ocidental – mas não quis entrar no mérito da questão.Concordo com tudo que escreveu.
      Abraço!

    • philippe

      O meio virtual tem certos inconvenientes, como não poder bater palmas de pé para o seu texto. A bem da verdade… Poder, eu posso, mas irão achar que pirei, pois estarei batendo palmas para o notebook.

    • Edson Nova

      Obrigado Kadu e Philippe.
      Não é minha intenção dar lições ou parecer sábio.
      Só quero somar.

  3. Marcos Reis

    Ficou mais gato ainda!!!

  4. Fernando

    Kadu, foi muito bom conhecer um pouco sobre o Qatar.

  5. Gisele Ramalho

    Gostei muito de tudo o q vc apresentou sobre o Qatar…..mas esse luxo todo tem um preço…..diárias inacessíveis??….qto custa se hospedar e desfrutar de tudo isso??